O escritor de ficção científica inglês Arthur Clarke, numa entrevista em 1974, previu que no ano 2001 haveria computadores portáteis interativos, que permitiriam as pessoa se comunicarem e trabalhar remotamente de qualquer local do mundo, o que se converteu na tecnologia de comunicação móvel.

Falecido em 2008, o visionário Clark não pode conferir que sua previsão foi muito além das expectativas, em termos de dimensões e capacidade de processamento dos aparelhos, utilidade das aplicações disponíveis, cobertura e universalização das redes, que neste século atende bilhões de pessoas em todo o mundo. Atualmente a tecnologia 5G (a quinta geração das redes móveis), é celebrada como a grande estrela das telecomunicações para os próximos anos.

Finalmente no Brasil, a Anatel definiu as regras do leilão das frequências do 5G, previsto para novembro 2020. Será o maior evento do mundo em volume de faixas leiloadas, que totalizarão 3,7 GHz de banda a ser ocupado. Em 5G pode-se atingir downloads de velocidades entre 10 e 20 Gigabits por segundo, 100 vezes maior que do que no sistema atual em 4G, com a vantagem de latência seis vezes menor, cerca de 5 milissegundos, para comunicação entre os aparelhos.

Entretanto, conforme apontou o CEO da CenturyLink Jeff Storey, em artigo publicado na revista Fortune “As Ruas Laterais de 5G Ficarão Vazias Sem A Autoestrada Interestadual Da Fibra” para que esta estrela brilhe e os benefícios do 5G sejam realmente universalizados, se faz necessário muitos investimentos nas redes de acesso. Isto ocorre porque a tecnologia 5G trabalha com altas frequências (até 26 GHz no caso do Brasil), o que demanda menores distâncias entre os aparelhos celulares e as estações rádio bases, além da dificuldade inerente da tecnologia de transpor obstáculos, como paredes e edifícios.

Para implantação do 5G será necessária uma nova arquitetura de rede, na qual as operadoras móveis tenham a disposição mais micro células integradas, que dependem de uma infraestrutura de grande capilaridade de conexão, da rede principal até estas células. Esta infraestrutura requer redes de fibras ópticas capilares e de altas capacidade de transmissão.

Assim podemos dizer que os anos 2020 serão a “década das redes de acesso no Brasil”, impulsionada pela alvissareira demanda de investimentos em infraestrutura de telecomunicações.

Aproveitando o crescimento do uso da Internet e contribuindo para ampliar a cobertura das redes no Brasil, milhares de empreendedores em cidades pequenas e medias, têm investido no desenvolvimento de redes de acesso para provimento de serviços de Internet e acesso corporativo. Será uma base importante para 5G e outras aplicações que virão, como Internet das coisas, veículos autônomos e diversas iniciativas de transformação digital nas empresas.

A plataforma de mapeamento de redes da ANATEL contabilizou 3.882 municípios brasileiros (cerca de 70% do total) com cobertura de “backhaul” (conexão das redes periféricas com o núcleo central) em fibra óptica no final de 2019. Destes, 2.633 são municípios atendidos por provedores de pequeno porte.

Esta demanda se faz necessária ainda mais neste momento, no qual a pandemia do Covid-19 fez aumentar o tráfego de Internet em todo o planeta, pela necessidade de trabalho e estudo remotos, telemedicina, streaming de vídeo e-commerce. A Unesco estima que são 1,3 bilhões de crianças, adolescentes e adultos sem aulas presenciais, requerendo educação a distância, que chegou a atender 228 milhões de estudantes na China, 76 milhões nos Estados Unidos e 57 milhões no Brasil. O governo federal do Brasil reportou que 43,7% da força de trabalho atua remotamente em abril de 2020. O mesmo fenômeno ocorrendo nas empresas.

Segundo dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGIbr, no final de Março de 2020 a troca de tráfego de Internet no Brasil atingiu pico de 11 Tbps, um aumento em torno de 30% em relação a 2019. Para atender esta demanda, que se consolidará com a mudança cultural da vida à distância, novos investimentos em redes de acesso e backbones serão necessários.

A aprovação pelo Senado Federal em 2019 do PLC 79 (Projeto de Lei da Câmara No 79, que altera a Lei Geral de Telecomunicações 9.472/1997) vai estimular a ampliação da infraestrutura de telecomunicações no Brasil, uma vez que altera o marco regulatório, flexibilizando a migração de contratos e pagamentos das concessionários de telefonia fixa do regime público para o privado. Mesmo com a crise econômica, o mercado espera mais investimentos em redes de acesso para serviços de Banda Larga.

Acompanhando as tendências desta década das redes de acesso, a CenturyLink segue atuando na construção de redes metropolitanas nas principais cidades da América Latina e atende milhares de usuários corporativos, governamentais e nos setores de educação e entretenimento, além de prestar uma grande contribuição na conexão dos pequenos e médios provedores de serviços locais, em todas as partes do Brasil, para acesso à Internet, através do seu backbone nacional de fibra óptica, integrado ao mundo através dos cabos submarinos que conectam mais de 60 países em todos os continentes.

Durval Carvalho Avila Jacintho

Autor:
Durval Carvalho Avila Jacintho
Durval Jacintho, PMP, MSc, trabalha há 34 no mercado de telecomunicações, onde ocupou posições de gerencias em empresas como Impsat, AT&T Tridom, Comsat, Villares e Icatel. Na CenturyLink desde 1997, é atualmente Vice Presidente de Customer Assurance na América Latina e Diretor Executivo da empresa no Brasil.